COVID-19: Mercado Fotovoltaico

 

Impactos e expectativas segundo o mercado.

 

No dia 7 de janeiro, a OMS anunciou ao mundo a descoberta de um novo vírus na China. Com alto grau de contágio, a COVID-19 apresenta graves riscos para alguns grupos mais vulneráveis da população, como idosos e pessoas com determinadas condições de saúde. Da China, o vírus se espalhou e a maioria dos países já apresenta casos, provocando uma crise de grandes proporções em todo o mundo. No Brasil, o primeiro caso da doença ocorreu na cidade de São Paulo no dia 26 de fevereiro e, em 4 semanas, superou 2.000 infectados, indicando o elevado potencial de alastramento da pandemia. 

Todos esses acontecimentos acabam por impactar a economia mundial e o setor fotovoltaico não ficaria de fora. Reduções nos investimentos e dificuldades na produção dos equipamentos são exemplos das consequências que podem afetar esse setor que, até então, apresentava amplo crescimento no Brasil.

 Pesquisa Greener com os agentes do setor

Para compreender os impactos da COVID-19, a Greener lançou um questionário destinado a todo o setor fotovoltaico, entre os dias 19 e 24 de março. A pesquisa contou com a participação de 541 empresas de todas as regiões do Brasil, com forte engajamento dos gestores, que representaram mais de 75% da amostra. Agentes de todos os ramos de atuação participaram da pesquisa, com destaque aos integradores, tanto de pequeno quanto de médio portes. A Figura 1 apresenta uma descrição dos participantes e a Figura 2, as respostas dadas por eles.

Figura 1 – Perfil dos participantes da pesquisa.

 

A análise segmentada por ramo de atuação pode ser realizada através do filtro localizado abaixo do título da Figura 2. A Greener também irá compartilhar, gratuitamente, um relatório com insights segmentados por cada tipo de atividade.

Analisando os dados para todos os segmentos de atuação, notamos que boa parte do setor já sente os impactos da atual crise. Os pontos centrais levantados são:

  • 71% dos participantes alegaram já ter perdido um negócio, seja por desistência ou por adiamento. 
  • 83% notaram uma redução do número de interessados em adquirir um sistema fotovoltaico;
  • 50% afirmam já terem sido impactados pelo aumento do custo dos equipamentos, consequência da alta cambial pela qual passamos;
  • O Caixa da empresa ($) é o principal fator de preocupação neste período de turbulência;
  • 70% das empresas já operam em home-office e 19% pretendem implantar em parte ou na totalidade da equipe.  

Figura 2 – Análise dos impactos e expectativas dos agentes do setor fotovoltaico.<6>

 Impactos na demanda

As informações obtidas pelo questionário demonstram que, no momento, um dos principais impactos para o setor fotovoltaico está relacionado à redução da demanda. Segundo o levantamento, mais de 70% das empresas integradoras afirmaram já ter perdido um negócio por desistência ou adiamento, tendo isso um importante potencial de impacto para todo a cadeia. 88% dos integradores também afirmaram ter notado redução no número de interessados em energia solar, com mais da metade deles indicando uma forte redução.

 Logística e abastecimento

Apesar da produção estar sendo retomada, sobretudo na China¹, possíveis restrições logísticas são os principais fatores de preocupações apontados pelos fabricantes consultados.

 Impacto cambial

O incremento dos custos dos equipamentos decorrentes da relevante desvalorização cambial (superior a 25%) foi o impacto mais mencionado para a maior parte dos ramos de atuação. Em geral, 50% das empresas já sentiram que os produtos estão mais caros. 

Usinas de Grande Porte

Os proprietários e investidores de usinas voltadas para leilões e mercado livre de energia também demonstraram, em quase 60% dos consultados, ter sentido os efeitos de aumento do custo dos equipamentos. 

Por outro lado, a natureza dos contratos de fornecimentos de energia de boa parte dos projetos de grande porte prevêem um horizonte de implantação de médio e longo prazos, o que traz maior flexibilidade permitindo que os principais desembolsos sejam realizados em condições mais favoráveis de mercado.

 

Enfrentando a crise 

Apesar dos impactos que esta crise sem precedentes pode trazer a toda sociedade, ressaltamos a importância das empresas agirem com racionalidade neste momento de incertezas. Nesse sentido, sugerimos avaliar os seguintes pontos ao traçar os planos para o atual momento:

  • Garanta a segurança e saúde da equipe, siga as recomendações das autoridades; 
  • Identifique os principais riscos e trace alternativas para mitigá-los;
  • Mapeie os custos fixos e variáveis da empresa, buscando otimizar gastos;
  • Negocie prazos e condições de pagamento;
  • Verifique com seu fornecedor eventuais problemas de abastecimento que ele possa ter;
  • Fortaleça sua marca: aproveite o momento para inovar sua comunicação. Busque formas de apoiar seu público;
  • Fortaleça seu time: invista em treinamentos, deixe sua equipe mais eficiente para o pós crise;
  • Adote o home-office com todos aqueles que for possível. Para quem não puder adotá-lo, siga as recomendações de higiene e saúde no mais alto rigor;
  • Na menor suspeita de contaminação, deixe o colaborador em quarentena: é melhor um infectado do que toda a equipe.

A Greener agradece a todas as empresas que contribuíram respondendo ao questionário. 

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¹ Fonte: <For Wind and Solar Sectors, Biggest Coronavirus Risk May Be a Damaged Economy>

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