Novas margens de escoamento de energia são definidas pelo ONS

A expansão da transmissão nas regiões Norte e Nordeste do SIN, têm consolidado diversos atrasos de obras na Rede Básica, sobretudo com os problemas enfrentados pelas empresas transmissoras.

Cabe citar o caso da ABENGOA (formalizado ainda em 2016) e, mais recentemente, atrasos de obras consolidados na Ata da 184ª reunião do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico), realizada em 06 de setembro de 2017, a se considerar no horizonte do LEN A-4/2017. Estes atrasos impactam diretamente nas “margens” para escoamento de geração eólica/solar.

Em outubro/2016, o ONS publicou a Nota Técnica ONS NT 121/2016-r1, intitulada “2º LER/2016: Quantitativos da Capacidade Remanescente do SIN para Escoamento de Geração pela Rede Básica, DIT e ICG” (Revisão 01, datada de 06/10/2016) [ONS, 2016]. Naquela oportunidade, as subestações localizadas nos estados do Rio Grande do Norte e Bahia, apresentaram “margem ZERO”, ou seja, a transmissão impossibilitou a participação dos projetos localizados nestes estados, pois os estudos concluíram não existir capacidade remanescente (comumente chamada de “margem”) para escoamento de geração eólica e solar a partir dos barramentos da Rede Básica, DIT e ICG.

Não existindo “margem” para a “barra candidata” (subestação pretendida), o projeto, seja eólico ou solar, é automaticamente desabilitado pela EPE, sendo impossibilitado de participar dos respectivos leilões, seja de energia de reserva ou energia nova.

Com o Leilão de Energia Nova (LEN), horizonte A-4 (janeiro/2021), agendado para dia 18 de dezembro de 2017, surgem novas expectativas e se “agigantam” as velhas preocupações, uma vez que as “margens” para este certame foram atualizadas e divulgadas pelo ONS, no último dia 10 de novembro de 2017.

O que esperar?

Conforme ata da 184ª reunião do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico), realizada em 06 de setembro de 2017, foram consolidados alguns atrasos de obras a se considerar para o horizonte do LEN A-4/2017.

As obras em atraso devem ser retiradas dos casos base, na execução dos estudos para determinar a capacidade remanescente (“margens”) do sistema de transmissão no horizonte 2020.

Assim, o que já era preocupante, torna-se ainda mais crítico.

Particularmente, em se tratando dos estudos de “margem” atualizados, as seguintes premissas e critérios devem ser considerados:

  • Mecanismo de Compensação de Sobras e Déficits (MCSD Energia Nova A4+), publicado dia 21/junho/2017 pela CCEE, com redução de 367,223 MW de geração, sobretudo de fonte eólica. Usinas retiradas dos casos base de acesso do ONS.
  • Mecanismo Competitivo de Descontratação de Energia de Reserva de 2017, com a descontratação total de 557,36 MW (potência instalada) de fonte eólica e solar, sendo 527,33 MW na Região Nordeste. Usinas retiradas dos casos base de acesso do ONS.
  • Revogação da autorização (outorga), datada de 19/setembro/2017. A revogação de outorgas totaliza 249,0 MW de geração, sendo 30,0 MW de fonte solar e 219,0 MW de fonte eólica.
  • Premissas e critérios da Nota Técnica ONS NT 080/2017 / EPE-DEE-RE-051/2017, desde que se tenha as informações completas para alteração dos casos base em formato ANAREDE/CEPEL.

Enquanto o MCSD, o “leilão reverso” (de descontratação) e a revogação de outorgas, trazem esperança aos empreendedores que cadastraram seus projetos, visando o LEN A-4/2017, na “contramão” das expectativas tem-se os atrasos de obras, consolidados pelo CMSE.

Diversos estudos foram executados recentemente, no intuito de “antecipar” para os empreendedores e investidores as pretensas “margens” do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Nestes estudos, observam-se severas restrições para o escoamento de geração eólica/solar.

As maiores severidades se observam no cenário Nordeste exportador máximo, carga MÉDIA. Tal constatação mostra como as “margens” dependem dos cenários de intercâmbios e do despacho de geração eólica e solar, sobretudo no Sistema Nordeste.

Com a publicação da Nota Técnica ONS NT 0118/2017, intitulada “LEN A-4/2017: Quantitativos da Capacidade Remanescente do SIN para Escoamento de Geração pela Rede Básica, DIT e ICG” (datada de 10/11/2017) os empreendedores vivenciaram “grandes emoções”.

Mais uma vez, diversas “barras candidatas” apresentaram “margem” ZERO, desabilitando automaticamente os projetos cadastrados com conexão nestas.

Aqueles empreendedores que investem continuamente nos chamados “estudos de escoamento de geração” ou “estudos de conexão”, no entanto, não foram “pegos de surpresa”, pois os estudos prospectivos já apontavam as dificuldades ratificadas pela Nota Técnica ONS NT 0118/2017.

Diversos empreendedores tiveram a oportunidade de antever as ameaças e focalizar esforços e recursos financeiros nos projetos que de fato se mostravam factíveis quanto ao tema “conexão”.

Neste contexto, cada vez mais, a análise continuada dos cenários da transmissão, bem como os estudos de conexão ganham importância, sendo decisivos para quem almeja “conquistar” um contrato de venda de energia no ACR (Ambiente de Contratação Regulado).

Aos demais, ficam as repetidas lições, sacramentadas pelos estudos de margens.

Escrito por Alécio Barreto Fernandes | Especialista convidado – Engenheiro Eletricista, Empresário e Consultor

Graduado em engenharia elétrica pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Mestre (M. Sc.) e Doutor (D. Sc) em engenharia elétrica pela UFPB. MBA em Aspectos Institucionais do Setor Elétrico, pelo IAG/PUC-Rio, no Rio de Janeiro, RJ.
Possui 24 anos de experiência profissional na área de estudos elétricos. E 13 anos de experiência no ONS (Operador nacional do Sistema Elétrico). Trabalhou como professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UFPB, em Campina Grande (PB) e na Faculdade Pio Décimo, em Aracaju (SE). Atuou como engenheiro do Consórcio de Alumínio do Maranhão (ALUMAR) em São Luís (MA). Exerceu a função de Diretor de Pesquisas do NEPEN (Núcleo de Estudos e Pesquisas do Nordeste).
Trabalhou como como engenheiro especialista do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em Recife (PE). Membro do CIGRÉ (Council on Large Electric Systems) e membro fundador da SBQEE (Sociedade Brasileira de Qualidade da Energia Elétrica), onde atuou como membro da Diretoria Executiva da SBQEE. É autor de cerca de 100 artigos na área de transitórios eletromagnéticos, modelagem computacional para simulação de sistemas de energia elétrica e qualidade da energia elétrica. Coordenou a Força Tarefa (FT) Eólicas, em âmbito nacional, pelo ONS.

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