Otimização do processo de gestão da construção das grandes usinas

Há aproximadamente dois anos iniciava-se efetivamente a construção de grandes Usinas Solares de Geração Centralizada no Brasil. De lá para cá temos observado que diversos problemas têm demandado maior custo e prazo para a construção dos parques. Sabemos que os empreendimentos de energia têm suas particularidades quanto a custos e prazo que podem comprometer o fornecimento por todo o período de concessão. O prazo inicial de geração deve ser cumprido para evitar multas, pois o aumento de custo pode comprometer o empreendimento, tendo em vista que o valor do MWh já foi pré-definido no leilão.

Essa preocupação tem incomodado cada vez mais a análise dos investidores.

Na Geração Centralizada (GC) os empreendimentos são maiores e, portanto, somente as grandes empresas EPC’istas conseguem dar as devidas garantias de fornecimento para a construção.

Entretanto, somente esse motivo ainda não conseguiu atrair os grandes EPC’istas já instalados no Brasil há anos. Seja pelos problemas enfrentados devido os processos judiciais, seja pelo tamanho financeiro dos empreendimentos ou ainda pela quantidade disponível nos leilões.

Desta forma, esse mercado tem atraído diversos players (EPC’istas) internacionais que na sua maioria negociam seus contratos lá fora para executá-los no Brasil, respaldados pela experiência em empreendimentos similares.

A Gestão da Construção de um EPC’ista engloba desde a engenharia, planejamento, procurement, logística de materiais, construção e comissionamento, segurança e qualidade da planta.

Comumente, essas empresas não fazem a adequada tropicalização de mão de obra e tão pouco analisam os stackholders e as exigências legais para a gestão da construção. O famoso custo Brasil.

Neste aspecto, os stackholders (sindicatos, acordos coletivos, mão de obra, comunidades, fornecedores, mídia, Estados etc.), têm uma parcela de grande influência em um país com dimensões continentais e sindicatos fortes. Cada estado tem seu acordo coletivo que, às vezes, é muito diferente da CLT, regiões com dificuldades básicas como saúde e educação que podem levar a reinvindicações e paralizações constantes. Além da qualificação da mão de obra local, principalmente no nordeste do país onde há maior incidência solar.

As dificuldades aumentam quando a empresa EPC’ista terceiriza a execução das atividades de construção civil, mecânica e elétrica.

A depender se a terceirização é para uma só empresa ou para várias das especialidades, todas devem ser precedidas de um excelente planejamento de todas as atividades da planta a serem executadas e manter uma equipe muito alinhada para gestão da interface geridas pelo planejamento, tanto entre empresas da mesma especialidade, quanto para outras atividades de construção, engenharia, procurement, logística de recebimento e entrega de materiais, qualidade e segurança.

Para o investidor que vê em seu plano de negócios custos, prazos e responsabilidade bem definidos entendendo que para tal, somente lhe cabe aportar os recursos financeiros previamente acordados no cash flow e cobrar prazos, esses desvios causam na sua maioria uma grande preocupação e impotência de gestão por falta de informações detalhadas e informações de cenários projetando os desvios.

Por outro lado, o investidor pode entender e achar desnecessário duplicar, ou seja, manter em seu quadro de funcionários uma equipe de gestão para acompanhar a construção de todo o empreendimento, conhecida como engenharia do proprietário.

Isso pode apertar ainda mais os custos de implantação.

Gestão Compartilhada

Uma oportunidade neste turbilhão de desvios percebidos nos empreendimentos em construção pode ser a Gestão Compartilhada. Esta pode ser percebida pelo investidor em alguns casos como uma saída para a duplicidade de Gestão da Construção, levando em consideração que sempre o maior prejudicado será ele. Então, essa pode ser uma alternativa de redução de custos bem interessante.

Para eliminar todos esses desvios e/ou dificuldades de projeção claras do andamento do empreendimento, o investidor deve escolher seu EPC’ista de acordo com suas convicções ou modelo de gestão.

Neste caso, é de suma importância emitir uma carta convite devidamente elaborada buscando o acompanhamento compartilhado e minucioso de todas as atividades e as ferramentas necessárias de utilização e periodicidade. Pois, os objetivos e o detalhamento claro das responsabilidades de cada empresa pode ser o sucesso do empreendimento com boa redução de custos.

Também a Gestão Compartilhada pode ser executada de forma que o investidor faça a sua própria gestão, contratando para isso as empresas com as expertises que mais lhe convém. Neste caso, o ideal é que o investidor tenha em seu DNA uma veia de Gestão ou que pelo menos implemente em seu negócio um departamento de Gestão da Construção com as características necessárias.

Há ainda a possibilidade de terceirizar essa atividade mantendo metas bem claras de entregas.

Concluindo, a grande oportunidade para Investidores e EPC’istas, é a de buscar tanto empresas como profissionais qualificados em gestão e não somente com experiências em construção de usinas solares.

Embora sejam menos complexas do que as grandes obras de infraestrutura já implementadas no pais, a construção fisica de usinas solares trazem algumas particularidades como a minuciosidade, velocidade de implementação e simultaneidade de atividades (fast track).

Para tal, deve buscar empresas e profissionais com experiência em gestão de negócios e pessoas, para que possam aplicar as ferramentas necessárias para atingir o desempenho esperado e sucesso do empreendimento.

Escrito por Geraldo Dias | Especialista convidado – Empresário e Consultor

Graduado em Engenharia Industrial Mecânica, pela UNIMEP – Universidade Metodista de Piracicaba e Bacharel em Administração de Empresas, pela FAAB – Faculdade de Brasília – AIEC. MBA Gerenciamento de Empreendimentos IBEC/INPG em andamento, MBA Gestão Estratégica de Custos IBEC/INPG em andamento e Pós Graduação em Montagem Industrial e Fabricação Mecânica pela UFF -Universidade Federal Fluminense.
Atua há mais de 30 anos em Infraestrutura em geral, empreendimentos industriais nas áreas de Óleo e Gás, Energia, Mineração, Siderurgia, Papel e Celulose, Química e Petroquímica, Estudos de Rigging para grandes movimentações de cargas, em palestras e cursos de formação de especialistas de movimentação.

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